
Homeopatia e a Gripe H1N1
(*) Por Rodrigo Suarez
Fui convidado a falar sobre a gripe suína sob o ponto de vista da homeopatia. Aparentemente fácil, mas as implicações são inúmeras. Um verdadeiro presente de Grego. Mas por algum motivo isso aconteceu, então só tenho a agradecer pelo convite, e me empenhar em discorrer de uma forma ética e numa linguagem simples para que todos possamos aproveitar.
Sob o ponto de vista homeopático, uma doença ocasional como uma gripe (mesmo a gripe A), evolui como qualquer outra doença aguda. Ou para a cura ou para a morte!
Simples e trágico, né!? Pois é verdade. O curso de todas as doenças ditas agudas é assim. Dependem da susceptibilidade em “pegar” a doença, dependem da forma agressiva que o agente causador da doença manifesta-se no indivíduo doente, e depende de como esse indivíduo reage ao agente causador.
Diante de tantas variáveis, o que deveríamos fazer e esperar de um tratamento homeopático? O remédio homeopático deve melhorar a nossa imunidade, deve tornar o nosso organismo menos exagerado em relação às reações ao agente agressor, deve ter uma ação rápida, suave e ter um efeito duradouro. E deve fazer mais o quê?
A homeopatia tem que ser completa realmente, ou seja, preventiva, curativa e barato!
Seria isso possível?
Pelo menos é o que a história mostra.
Hahnemann publicou primeiramente este princípio de profilaxia em 1801, ao descrever como impediu a propagação da escarlatina na Alemanha com Belladonna, um remédio que cobria o gênio epidêmico (genus epidemicus). Mais tarde usou outros remédios homeopáticos para tratar com sucesso a epidemia de febre tifóide de Leipzig, em 1813. Nesta epidemia, ele curou 180 pacientes e perdeu somente dois, uma taxa bem menor que a de 30% de mortalidade com os tratamentos médicos convencionais (alopatas) de seu tempo.
Em seu artigo, "Profilaxia Homeopática: Fato ou Ficção", o médico homeopata americano Will Taylor afirma: "A Homeoprofilaxia envolve o uso de remédios individuais, selecionados através de uma maneira individualizada e não de uma maneira rotineira, a fim de reduzir ou eliminar a morbidade de doenças epidêmicas e esporádicas contagiosas".
“ HOMEOPROFILAXIA ” nada mais é do que uma tentativa de emprego de remédios homeopáticos com fim não só de evitar que a doença se instale, mas caso venha a se instalar no indivíduo susceptível, que ocorra uma forma branda, sem consequências graves.
Ao longo da história vemos vários casos de epidemias tratadas de forma muito eficaz com homeopatia.
Um exemplo de epidemia tratada com sucesso pela Homeopatia foi documentada por Thomas L. Bradford, em seu livro "The Logic of Figures", no qual indicou: "Nos registros de três anos de casos de difteria no condado de Broome, Nova York, de 1862 a 1864, havia um relatório de uma taxa de mortalidade da ordem dos 83,6% entre os alopatas e de 16,4% entre os homeopatas".
Durante a pandemia de gripe espanhola em 1918, os médicos homeopatas documentaram mais de 62.000 casos tratados homeopaticamente, com uma taxa de mortalidade de 0,7%. Daquelas que foram hospitalizadas, a medicina convencional teve uma taxa de mortalidade de 30%, enquanto que 27.000 prontuários médicos tratados com a Homeopatia tiveram uma taxa de mortalidade de 1% ("Journal of the American Institute of Homeopathy" 1921; 13:1028-43).
Homeoprofilaxia não significa vacinação! Hahnemann já citava o " genus epidemicus " (um remédio homeopático que cure a doença em questão assim como previne outros casos). Bem, então qual seria esse tal “Gênio Epidêmico” da Gripe A?
Isso é muito discutido dentro do meio homeopático, mas em resumo, alguns medicamentos abaixo citados compõem o possível gênio epidêmico da gripe H1N1, mas o seu melhor emprego cabe ao médico homeopata que acompanha o doente ou a população assistida. Seriam eles:
INFLUENZINUM
GELSEMIUM SEMPERVIRENS
IPECACUANHA
BRIONIA ALBA
ACONITUM NAPELLUS
ANTIMONIUM TARTARICUM
OSCILOCOCCININUM
AMANITA PHALLOIDES
EUPATORIUM PERFOLIATUM
EUPRASIA OFFICINALIS
ILLICIUM ANISATUM
HYDRASTIS CANADENSIS
ALLIUM CEPA
KALI BICHROMICUM
ATROPA BELLADONA
Mas como usar?
Não é para todo mundo sair por aí comprando um monte de remédios homeopáticos e distribuindo para Deus e o mundo. O emprego dos medicamentos homeopáticos deve ser feito por uma equipe médica especializada, pois os medicamentos homeopáticos não são isentos de efeitos indesejáveis. E a responsabilidade de seu emprego deve ficar a custa de um médico homeopata.
Em alguns Estados como Mato Grosso do Sul algumas Secretarias Municipais de Saúde já distribuem centenas de doses de Influenzinum na 200 a diluição centesimal hahnemaniana.
Espelhando-se na cidade de Macaé-RJ, onde utilizou-se homeoprofilaxia para a Dengue com resultados muito expressivos, Campo Grande inovou corajosamente na certeza de um tratamento eficaz e seguro.
Para aqueles que já se tratam com homeopatia, o cuidado ainda é maior na hora de tomar esses medicamentos do Gênio Epidêmico. Dizemos que o paciente está “homeopatizado”, ou seja, equilibrado, portanto muitas das vezes não temos necessidade de empregar outros medicamentos, a fim de não atrapalharmos a via medicamentosa natural instalada no indivíduo.
Homeopatia pode ser uma alternativa eficaz, segura, barata em relação ao que ainda não possuímos atualmente, outra profilaxia medicamentosa.
(*) Dr. Rodrigo de Paula Alvarez Suarez é Médico Especializado em Homeopatia pela Associação Paulista de Homeopatia, Especializado em Acupuntura pelo Colégio Médico de Acupuntura e Especializando em Fitoterapia pela Universidade Federal de Goiás.